O Parque Nacional da Tijuca divulga o Informativo ICMBio - Febre Amarela

Entre o final de 2016 e o início de 2017, um novo surto de febre amarela vem acometendo os estados do Sudeste do país e mais de 40 unidades de conservação federais estão total ou parcialmente inseridas nos municípios que tiveram casos confirmados ou sob suspeita de febre amarela em humanos ou em primatas não-humanos (macacos).

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão gestor das unidades de conservação federais, acompanha de perto o desenrolar deste surto, fornecendo informações aos órgãos de saúde sobre mortes de macacos ocorridas no interior das unidades de conservação e áreas adjacentes.

É importante sempre esclarecer que a febre amarela é uma doença não contagiosa, de natureza viral. O vírus da febre amarela provavelmente teve origem no oeste do continente africano, e teria chegado às Américas durante o ciclo de tráfico de escravos, carreado pelo mosquito Aedes Aegypti. No Brasil, a doença tem caráter sazonal, ocorrendo mais frequentemente entre os meses de janeiro a abril, quando fatores ambientais, como o aumento das chuvas e da temperatura, propiciam a proliferação dos mosquitos.

O vírus mantém-se em dois ciclos básicos: o urbano e o silvestre. No ciclo urbano, erradicado do Brasil na década de 1940, o mosquito Aedes aegypti é o vetor responsável pela disseminação da doença. Quando este vetor pica um humano infectado pelo vírus em período de viremia (vírus vivos no sangue circulante), infecta-se e pode transmitir o vírus a outras pessoas susceptíveis, iniciando o ciclo de transmissão entre humano e Aedes aegypti.

No ciclo silvestre, mais complexo, a transmissão envolve principalmente macacos e mosquitos que vivem habitualmente nas copas das árvores. Outras espécies de mamíferos também são susceptíveis ao vírus. Nesse ciclo, várias espécies de mosquitos são responsáveis pela transmissão, sendo os dos gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina, e o mosquito Haemagogus janthinomys a espécie que mais se destaca na perpetuação do vírus no Brasil . Os macacos são infectados ao serem picados por estes mosquitos, em período de viremia. Os humanos susceptíveis, ao frequentarem áreas silvestres, podem ser picados por mosquitos infectados, sendo, desta forma, inseridos neste ciclo de transmissão como hospedeiros acidentais.

Vem daí a importância do trabalho feito pelo Instituto no acompanhamento dos casos de mortes de macacos nas unidades de conservação federais para informação aos órgãos de saúde. Os macacos têm um papel fundamental no controle da febre amarela em humanos, sendo considerados pelo Ministério da Saúde, desde 1999, “animais sentinelas” em relação à circulação do vírus da febre amarela. Em outras palavras, a observação de mortes de macacos com suspeita de febre amarela, serve como sinalizador para o eventual risco do aparecimento da doença na população humana, possibilitando a adoção de medidas de investigação epidemiológica e vacinação, evitando, assim, a ocorrência ou o agravamento de surtos e mortes entre humanos.

As principais medidas de prevenção em populações humanas, recomendadas pelo Ministério da Saúde, incluem a vacinação – que assegura imunização efetiva por um período de 10 anos – e o controle da proliferação dos mosquitos vetores. O controle da febre amarela em área urbana também passa pelo trabalho de preservação dos habitats naturais dos animais hospedeiros silvestres. Desflorestar ou matar macacos não impede a circulação do vírus, e pode ainda eliminar o papel de “sentinela” dos primatas e, portanto, essa sua valiosa e insubstituível contribuição para a saúde pública.

Na região metropolitana do Rio de Janeiro não há ainda confirmação da existência do vírus da febre amarela em circulação, em que pese a ocorrência de mortes de macacos registrada em outubro e novembro de 2016, que estão sendo investigadas. Por este motivo, o Instituto Chico Mendes mantêm-se alerta aos informes dos órgãos de controle epidemiológico, especialmente para a região metropolitana do Rio de Janeiro.

O Parque Nacional da Tijuca segue em funcionamento normal e um trabalho de informação e orientação aos usuários e visitantes será feito, no sentido de esclarecer sobre os cuidados para prevenir e minimizar os riscos de contaminação com o vírus da febre amarela, por meio, principalmente da vacinação, que é a forma mais eficaz de prevenção da doença.
As Reservas Biológicas de Poço das Antas e União, localizadas em município com casos de febre amarela sob investigação, não são áreas abertas à visitação pública, mas são locais de pesquisa, onde o contato das pessoas com o ambiente de floresta é mais intenso e prolongado. Neste caso, para acesso a estas unidades, está sendo exigido do pesquisador a vacinação contra a febre amarela.

Fonte: Parque Nacional da Tijuca

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