Os três mais elevados picos baianos

Rio de Contas

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Em dezembro de 2011, resolvo subir os três maiores picos baianos: Barbado, Itobira e das Almas. Situados no entorno do Parque Nacional da Chapada Diamantina, perto de Rio de Contas, aproveito pra conhecer esta pacata cidade. Com pouco mais de 13 mil habitantes, seu bem cuidado conjunto arquitetônico colonial, data dos séculos XVII e XVIII. Exceto os prédios públicos, construído com pedra, o resto das construções o foi em adobe. Visito vários atrativos na região como as cachoeiras do Brumado e do Fraga, a pequena e nervosa queda d'água do Caldeirão, além da ponte do Coronel, ideal prum tchibum, todos situados no rio Brumado. Merece uma visita, o rio Mocotó e suas duas belas quedas d’água. Subo ainda a trilha que leva ao Morro da Torre, admirável mirante donde se avistam a cidade de Livramento, construída no entorno da belíssima Serra das Almas, os dois cumes do Pico das Almas e mais ao norte o Pico do Itobira. Percorro os levíssimos 6 km da estrada Real e visito também a Comunidade de Mato Grosso, fundada por portugueses com o objetivo de explorar os veios auríferos, existentes na região em 1718, e os quilombos da Barra (fundado em 1687) e do Bananal.

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Pico das Almas

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O primeiro pico enfrentado é o das Almas, segunda maior elevação da Bahia, com 1.980 metros acima do nível do mar. Deixamos Rio de Contas no carro do guia, o simpático Edwilson, e após 40 minutos estamos com o pé na trilha percorrendo um terreno florido de microliceas rosadas. Atravessa-se o Corredor das Almas, um brete formado por um maciço de pedras que desemboca no vale do Queiroz. A pequena planície, delimitada entre duas enfiadas paralelas de serras, exibe um campo rupestre onde afloramentos rochosos desenham bizarras formas esparsas aqui e acolá. Um desbunde de lugar! Despontando ao norte, já se avista a forma arredondada do cume do Pico das Almas. Percorre-se, então, um pequeno segmento do que sobrou duma mata atlântica cujo término acaba numa clareira enclausurada por uma estupenda barreira de rochas que sinaliza a finalera do vale. A moleza de caminhar no plano termina, dando início a um leve aclive sucedido por outro, um pouco mais forte, tanto que exige breve escalaminhada. Pra refrescar os músculos das pernas, um terreno plano onde florescem longilíneos pepalantos. Outra subida, dessa feita, percorrendo um terreno bem pedregoso até atingir um largo platô onde nos aguarda aquela surpresa: o belo Portal das Almas ou do Céu. Trata-se dum largo arco esculpido engenhosamente na rocha pela ação erosiva do vento e da chuva, formando um autêntico pórtico. Mais um aclive, dessa feita, bem cascudo, porque pra enfrentá-lo se atravessa um brete, mais estreito do que o primeiro, formado por altos paredões rochosos cujo terreno, super irregular, demanda cautela na pisada. O corredor termina noutra clareira, surgindo, então, à frente uma imponente parede de 200 metros de altura, conhecida como Paredão das Almas cujo acesso leva ao cume das Almas. Tremo nas bases. Entretanto, o que, aparentemente, se mostra inexpugnável, revela-se no decorrer da ascensão uma divertida e lúdica escalaminhada. A rocha, tipo conglomerado, super aderente, com boas agarras, é só alegria. Já próxima ao topo, deleito-me com um adorável jardim onde se destacam calhandras vermelhas, amarílis, orquídeas, bromélias e cactos. Rescende, no ar, o bom odor das macelas. E o cume do Pico das Almas revela-se um diminuto platô, atravancado por pedras e arbustos de pequeno porte!

Pico do Itobira

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Assim como o Pico das Almas, o Itobira está assentado no município de Rio de Contas, porém mais distante da cidade. A trilha tem início em Kaiombola, vilarejo cujos moradores pertencem a mesma família. Após uma subida bem áspera de 20 minutos num costão de pura pedra, vislumbra-se o vale do Camburu lá embaixo e a frente o pico surge mostrando uma face arredondada. Depois da subida cascuda, uma descida duns 15 minutos até um riacho onde paramos brevemente pra recuperar o fôlego. Campos de microliceas rosadas duns 2 metros de altura compensam outra subida por uma trilha que conduz à base da parede seguida por pequenas escalaminhadas até o cume onde abundam microliceas amarelas, calhandras brancas, orquídeas, enfim, uma variedade de flores estupendas que me deixam encantada. Pra se alcançar o verdadeiro topo - uma rocha que se eleva a 4 metros do solo - uma pequena escalada é necessária. Ed me dá uma ajuda, e do alto dos 1.474 metros do terceiro maior pico baiano, desfruto do belo cenário que tem ao sul Rio de Contas, Pico das Almas a oeste e Barbados ao norte, sem contar infinidades de outras elevações, destacando-se o formato de foice do morro do Silvanos que se esparrama diante de meus olhos.

Pico do Barbado

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Por fim, a terceira e máxima elevação de terras baianas, o Pico do Barbado, com 2.033 metros acima do nível do mar, localiza-se no município de Abaíra, justo na vila de Catolés de Cima. Começa-se a trilha percorrendo um trecho da estrada Real que, em certos sítios, exibe largos degraus de pedras amareladas, bem-vindos facilitadores do acentuado ascenso. À esquerda, o paredão sul do Pico Barbado e à direita o do Pico do Elefante, cujo apelido assenta à perfeição! Nunca tinha visto tromba e orelhas de abano tão perfeitas! Atravessamos um trecho de mata, ensombrecido por densa vegetação, antes de alcançarmos o lugar conhecido como Forquilha da Serra que, como o nome indica, se trata dum vão entre os dois morros, por onde a estrada Real segue adiante. Mas nós dobramos numa trilha à esquerda. Próximo ao cume, destacam-se pequenos arbustos. Entretanto o lugar é pobre em termos de flora, destacando-se a xoxotinha de freira, o maracujá de cobra cuja flor vermelha quebra a hegemônica brancura da outra espécie da fruta, um que outro ramalhete de begônias e, tremelicando ao vento, uma solitária orquídea oncidium. Sobe-se um costão de largas lajes de pedra cuja suave aclividade termina no cume do Barbado onde prepondera a vegetação rupestre. Já do topo, avisto nas bandas meridionais o Pico do Itobira em sua faceta mais comum, a pontuda, assim como o das Almas, mais a sudoeste. A leste, o Pico do Elefante e um pouco mais adiante a serra do Cobre, bem como algumas elevações do Parque Nacional da Chapada Diamantina, que, entretanto, eu e Ed não conseguimos identificar. Uma barbada, diga-se de passagem, a ascensão a esse pico! A pernada de 10 km não dura nem 3 horas.

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