Diz que é trilheiro, mas desiste da trilha porque está com preguiça
Acordar cedo no sábado, preparar a mochila, escolher a trilha do dia, respirar fundo e... cancelar tudo porque bateu uma preguiça. Quem nunca?
Você se considera trilheiro, curte a vibe, ama a montanha, posta foto com legenda tipo “me reconectando”... mas na hora do vamos ver, o que você reconecta mesmo é com o travesseiro na orelha. Acorda, olha pra janela, vê uma nuvem, escuta o corpo dizendo “hoje não” e obedece como se fosse uma ordem judicial.
Aí vem o clássico: “Meu corpo pediu descanso”. Claro, pediu sim. O corpo pede descanso todo dia, o que ele precisa mesmo é de vergonha na cara. Porque, sejamos honestos, se depender da nossa disposição matinal, até o Everest ia ser adiado por “motivos de energia baixa”.
Equipamento de ponta, disposição de segunda-feira
Existe uma espécie muito comum no mundo da montanha: o trilheiro de sofá. É aquele ser que tem tudo: bota impermeável, mochila com compartimento térmico, garrafa high-tech, protetor solar fator 60, meias compressoras e boné com proteção UV. Mas falta um pequeno detalhe: ele não vai.
Ao menor sinal de "tempo nublado, "vento estranho", "sonhei com acidente" ou "tô meio molenga", já dispara o cancelamento como se estivesse salvando a própria vida. E olha que nem estamos falando de travessia de alto grau de dificuldade. Às vezes é só uma trilha leve com vista bonita e lanchinho no mirante. Mas parece que o maior desafio é mesmo dar bom dia pro despertador.
E tem a desculpa técnica também: “Ah, aquela trilha exige muito do joelho”. Exige, sim: exige que ele dobre. Só isso. Mas a verdade é que o único exercício feito na semana foi uma rolagem intensa no feed vendo fotos dos outros que foram. E julgando, claro.
Trilha é pra quem sente preguiça… e vai mesmo assim
Sim, trilha é maravilhosa. Mas só depois que você levanta da cama, encara o primeiro quilômetro e pensa: "Por que mesmo eu inventei isso?" Essa dúvida existencial faz parte do pacote. O verdadeiro trilheiro raiz sabe disso.
Amar a montanha quando tudo conspira a favor — clima perfeito, humor bom, perna descansada — é fácil. Difícil é manter esse amor quando você está em pé às 6h, passando café com um olho só aberto e tentando lembrar por que diabos achou que subir uma trilha era melhor que dormir até meio-dia.
E ainda assim... vai. Porque é isso que separa o trilheiro raiz do trilheiro Nutella. A vontade de viver a trilha mesmo nos dias em que o sofá faz olhinhos e o edredom sussurra seu nome. Vai pela experiência, pela vista, pela conversa no caminho, pelos pensamentos malucos que só aparecem depois de uma hora subindo sem fôlego.
Estudos sérios comprovam: a preguiça é o maior desnível da trilha
Estudos altamente confiáveis e absolutamente inventados por trilheiros frustrados indicam que 87% das pessoas que dizem “sou apaixonado por trilha” na verdade só gostam da ideia de postar uma foto com legenda "recarregando as energias.
Dados fresquinhos do Instituto Nacional de Procrastinação Montanhista mostram que o maior obstáculo das trilhas não é o desnível acumulado, nem as cobras no caminho: é a preguiça acumulada no colchão ortopédico. E você sabe disso.
Se você já pensou em algo como "essa trilha podia ter um teleférico até o mirante", parabéns. Você é 100% humano e 0% trilheiro raiz. Mas calma, ainda dá tempo. Começa com uma trilha leve, uma xícara de coragem e duas doses de vergonha na cara.
E aí, você ama trilha mesmo… ou só até a hora de levantar da cama?
Se riu, se doeu ou se identificou, a trilha te espera. Só não vale marcar e sumir, ok?
Leia mais sobre o Ser da Montanha e descubra como transformar até a sua preguiça em parte da jornada.











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