Estar presente evita quedas repetidas
Um tropeço bobo me tirou do fluxo da trilha. O pé escorregou numa pedra úmida, dessas que parecem firmes mas estão cobertas de limo. Nada grave, mas o susto fez o coração bater diferente. Olhei ao redor e percebi que não lembrava do último trecho. Nem do som do riacho, nem do cheiro da mata molhada. Só lembrava do que estava remoendo por dentro.
Segui andando mais devagar, tentando recuperar o ritmo. Mas o corpo ia à frente e a cabeça continuava atrás, repetindo conversas, analisando reações, ensaiando desfechos que não aconteceram. A trilha seguia em curva, irregular, cheia de raízes salientes. Era o tipo de terreno que exigia atenção, ou a queda viria de novo. E foi aí que caiu a ficha: ali não era lugar pra devaneio. Era lugar de presença alerta. Senão, a trilha cobra. E não avisa.
O risco de andar ausente
Tem momento pra se perder nos pensamentos. Mas não é agora. Quando a gente atravessa uma fase instável, qualquer distração se transforma num risco. Não só nos passos, mas nas escolhas. A montanha pede atenção ao que está debaixo do pé. Ao que vem logo à frente. E a vida também. Não pra esquecer o que passou, mas pra lembrar que ainda estamos aqui, atravessando.
A lição que machuca menos
Quem caminha sem estar com a mente presente onde pisa corre o risco de se machucar no que nem viu. E o pior tropeço não é o que rala a pele, mas o que arranha a confiança. Porque quando a gente se afasta demais do agora, começa a errar por antecipação, a decidir com a cabeça em outro tempo. E é assim que se prolonga o que já deveria ter ficado pra trás. A trilha ensina com pedra, com buraco, com raiz exposta. Mas a vida ensina igual: quando não olhamos direito pro presente, acabamos repetindo o passado, só que com outra cara.
Pensar demais no que passou pode te fazer tropeçar no que está bem à sua frente.
Você está aqui ou ainda está onde tudo aconteceu?
Leia mais textos como este no Ser da Montanha











Deixe seu comentário