O poder do que você escolhe guardar em silêncio

O som que ecoa mais fundo na montanha não vem dos pássaros nem do vento. É o que a gente segura por dentro, como se fosse segredo demais para caber em palavras. Muitas vezes não é por falta de coragem que não contamos. É porque sentimos que se fosse dito, perderia o sentido, se tornaria menor do que realmente é.

O valor do que não encontra tradução

Existem sentimentos que permanecem inteiros justamente porque não encontram tradução. O silêncio, nesses momentos, não é vazio. É abrigo. É como aquela curva inesperada do caminho que revela um vale inteiro sem que ninguém precise explicar. O impacto está em viver, não em narrar. O silêncio guarda e preserva aquilo que palavras não alcançam.

Essa é uma das grandes lições da montanha. Ela ensina que algumas experiências não cabem em explicações prontas, não se encaixam em frases bem elaboradas. Elas simplesmente acontecem. E permanecem vivas dentro de nós, mesmo quando ninguém mais as vê.

Quando o mundo não entende

Quem já tentou partilhar uma dor ou uma alegria e viu o outro apenas acenar, sem alcançar de verdade, sabe o quanto isso pode machucar. O mundo nem sempre tem espaço para o que é imenso demais. E nesse espaço guardado, descobrimos que certas coisas não precisam ser compreendidas. Alguns sentimentos existem para serem sentidos, não explicados.

Na trilha, assim como na vida, há trechos que só quem caminha sabe como são. Você pode descrever a inclinação, o esforço, o frio ou o calor. Mas ninguém terá a mesma percepção, porque não há como dividir por completo o que foi vivido no corpo e na alma.

Segredos que fortalecem

Quando o caminho se estreita e o fôlego pesa, não há quem consiga traduzir em palavras o que passa dentro de nós. Cada passo vira confidência com o chão, cada pausa um segredo guardado. É nessa intimidade que entendemos que nem todo sentimento precisa ser exposto para ter valor.

O que permanece em silêncio não se perde. Pelo contrário, se fortalece. Porque não depende da validação externa para existir. É como a água escondida sob a terra, que alimenta raízes sem precisar ser vista. A força está no invisível.

O silêncio como proteção

O silêncio não diminui o que carregamos. Ele protege. Permite que o sentido permaneça inteiro, como o ar frio da serra ao amanhecer. Não se trata de esconder, mas de respeitar aquilo que só faz sentido dentro de nós. E essa escolha pode ser libertadora. Porque nem tudo precisa de plateia para ser verdadeiro.

Há momentos em que dividir seria reduzir. Em que explicar seria simplificar demais. Nesses momentos, o silêncio é um aliado. Ele mantém a experiência preservada, intacta, livre de interpretações que poderiam esvaziar o que sentimos de forma tão intensa.

A lição da montanha

O que não se diz também constrói quem você é. Cada memória guardada, cada dor não revelada, cada alegria que fica apenas em você molda silenciosamente a pessoa que caminha hoje. E talvez seja isso que a montanha nos ensine com tanta clareza: há forças que só se revelam quando não tentamos explicá-las.

Assim como os caminhos da serra não se mostram de uma vez, mas vão sendo descobertos passo a passo, a vida também guarda seus trechos que só fazem sentido quando vividos em silêncio. E nesse silêncio existe poder. Existe cuidado. Existe verdade.

Reflexão final

Nem sempre o mundo precisa entender. Nem sempre precisamos justificar ou traduzir. O que importa é o que permanece inteiro dentro de nós, protegido pelo silêncio e fortalecido pelo tempo. No fundo, a pergunta que fica é simples e poderosa: o que você guarda que só faz sentido em você?

Continue lendo outros textos no Ser da Montanha e descubra novas formas de se conectar com seus próprios caminhos.

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