Quando o coração se torna o mapa da caminhada
O vento que atravessa a mata não pergunta nada, apenas passa deixando o corpo arrepiado. Há dias em que escutar esse sopro é como se fosse o próprio peito tentando dizer algo, mas sem encontrar palavras. A gente percebe que há uma fala escondida ali dentro, pedindo para ser ouvida.
O coração pulsa no mesmo compasso, firme e insistente, como quem insiste em lembrar que ainda estamos aqui. Ele não mede o que é certo ou errado, não julga a intensidade do que sentimos. Apenas continua, fiel, enquanto tentamos traduzir sua linguagem em gestos, escolhas e silêncios.
O coração como guia
Quando caminhamos, o corpo cansa e o fôlego falha. É nesse instante que o coração se torna guia. Ele empurra o passo seguinte, mesmo quando a mente duvida. Ele se aperta diante da beleza inesperada de uma queda d’água ou do canto de um pássaro que rompe a manhã. É ele que, sem precisar de voz, nos lembra do que realmente importa.
O coração não pede explicação, pede vivência. Muitas vezes o que ele expressa é apenas um pedido simples: sentir de verdade, sem pressa, sem filtro. Essa talvez seja a forma mais sincera de estar vivo, mesmo quando os dias parecem turvos.
O diálogo íntimo com o peito
Quando o caminho se estende diante dos olhos, não é o destino que dita a força do passo, mas o diálogo íntimo com o próprio peito. Quem aprende a ouvir esse compasso descobre que não existe terreno que amedronte totalmente, apenas paisagens que exigem coragem para seguir adiante. O coração, quando respeitado, se torna o mapa mais confiável para atravessar tanto as subidas da serra quanto as encruzilhadas da vida.
Ouvir o coração é escolher coragem, não porque ele mostra o atalho mais fácil, mas porque ele mostra o que faz sentido. Assim como uma trilha desconhecida, o caminho que ele indica pode ter curvas inesperadas, mas guarda sempre a chance de descobrir algo novo sobre si mesmo.
A simplicidade de sentir
Escutar o coração não precisa ser um ato grandioso. É nas pequenas coisas que essa escuta se revela. O arrepio ao ver o horizonte, a calma que surge ao ouvir o barulho da água, o aperto silencioso diante de um obstáculo superado. São sinais de que a vida está acontecendo com intensidade.
A montanha ensina que sentir é parte do processo. Que não se trata apenas de chegar, mas de estar inteiro em cada passo. O coração nos lembra disso o tempo todo, ainda que muitas vezes tentemos silenciar sua voz com pressa, racionalidade ou medo.
Uma lição que ecoa
Quem ouve o coração nunca se perde no caminho. Essa é a lição simples e provocativa que a natureza nos entrega sem esforço. Não é preciso traduzi-la em fórmulas ou métodos. Basta permitir-se sentir e confiar no compasso interno que insiste em continuar batendo, mesmo quando tudo parece incerto.
O coração fala quando menos esperamos. Fala através do corpo cansado, do suspiro aliviado, da emoção que vem sem aviso. Fala quando paramos para respirar fundo e seguimos, mesmo sem certeza absoluta do que encontraremos. E é justamente isso que nos mantém em movimento, por dentro e por fora.
Escutar hoje
A reflexão que fica é simples: se o seu coração pudesse falar, o que ele expressaria agora? Talvez não seja algo lógico, talvez nem seja algo fácil de entender. Mas certamente será verdadeiro. E verdade é o que sustenta nossos passos, tanto no chão de terra da montanha quanto nos caminhos invisíveis da vida.
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