Beatriz Pianalto de Azevedo conta como iniciou os esportes aos 50 anos

Ainda dá tempo de mudar...

Ela foi fumante por mais de 40 anos, começou os esportes aos 50 anos e tem um currículo de viagens e aventuras de dar inveja a muita gente por aí!

O nome dela é Beatriz Pianalto de Azevedo, hoje com 63 anos, pedala, rema, corre, escala e pratica Mountain Bike! Atualmente todas as suas aventuras são narradas no blog Cuca de Prata, blog que leva esse nome em homenagem aos seus cabelos brancos! Vamos conhecer um pouquinho dessa figura ímpar?!!

Trilhando Montanhas - Você sempre praticou esportes? Quando começou a praticar? Quando surgiu o interesse pela aventura e por quê?

Beatriz Pianalto de Azevedo - Estou com 63 anos e aos 50 anos surgiu o interesse pelo esporte de aventura. Andava entediada e frustrada com o tipo de vida que levava (só festerê e tragoléu). Minha primeira trilha foi em Cotiporã, chamada Trilha do Rio das Lontras, que à época considerei ultra radical. Tinha medo de tudo, até dum arbusto que encostava em mim.

TM - Fale um pouco sobre o cigarro, sobre o vício e sobre como é possível substituir o prazer de fumar por outros prazeres da vida.

Beatriz Pianalto - Bueno, meu primeiro trago foi aos 16 anos. Lembro que até deu uma tonturinha mas eu me achava super moderna, trichique fumando, daí continuei por 42 anos. Faz 5 anos que consegui largar (houve uma tentativa há 10 anos atrás mas durou apenas 9 meses), sem muito esforço, numa viagem ao Nepal fazer uma montanha. Nem engordei muito e às vezes rola uma vontade de fumar mas seguro legal os 5 segundos e quando vejo o desejo passou.

TM - O que veio primeiro, a bike ou a montanha?

Beatriz Pianalto - Na verdade, o que veio primeiro foi o trek, longas pernadas que podiam durar um dia ou mais dias. Depois descobri o canyonismo que fiz durante 3 anos ininterruptos no sul de Santa Catarina. Nesse meio tempo, em 2007, uma amiga me convidou pra ir ao Atacama e, no pacote, estava incluída a ascensão a um vulcão de 5.600 m, o Laskar. Daí pra frente peguei o gostinho e não parei mais de subir os picos. O pedal surgiu no mesmo ano (2010) em que resolvi fazer curso de escalada, mas tive de parar de subir nas pedrocas porque a psoríase é um baita empecilho à prática deste esporte.

beatriz pianalto de azevedo no glaciar viejo do huayna potosi bolivia

TM - Quais os lugares em que você já pedalou ou praticou montanhismo no Brasil e no Exterior?

Beatriz Pianalto - Pedalar no exterior uma vez em Arequipa e outra no Butão, porém foram pedais de ½ dia. Já no Uruguai fiz Chuí-Montevideo em 7 dias com mais 3 amigas, sem carro de apoio, usando alforges. No Brasil, a pedalera é incessante, porém concentro mais no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Ceará. Quando viajo ao exterior é mais pra fazer alta montanha ou trek. Pra não ficar baratinada com a oferta de lugares, resolvi restringir o montanhismo à América do Sul (Peru, Bolívia e Chile) e à Ásia (Nepal, Paquistão e Butão). No Brasil, fiz clássicas travessias na Mantiqueira, como Serra Fina, Marins-Itaguaré e Trilha do Segredo. No Amazonas, o Neblina, no Paraná, os picos Caratuva e Paraná, no Rio de Janeiro, Petro-Teresópolis, a Pedra da Gávea e os picos da Tijuca e do Papagaio afora outros nem tão badalados mas igualmente desafiadores.

TM - Você recorda qual foi sua primeira montanha? E qual foi a mais difícil e por quê?

Beatriz Pianalto - A primeira montanha que enfrentei foi durante o trek de Machu Pichu, no Peru, em 2005, onde você trilha encostas de montanhas de mais de 3 mil metros alcançando um passo de 4.100 m. A mais difícil foram todas as que eu não consegui fazer cume e aquelas que pertencem ao sistema mata atlântica devido a cerrada vegetação. Embora tenha feito cume no pico Paraná, foi bem chatinho porque quando você pensa que a volta vai ser só descida há lances em que você tem de subir.

TM - Você acha que os esportes de aventura mudaram sua vida? Por quê? Você usa a bike no seu dia a dia?

Beatriz Pianalto - E como os esportes mudaram minha vida. Foi um giro de 360º!! As substâncias liberadas durante a prática do esporte, o contato com a natureza e a relação que estabeleço com as pessoas durante as viagens têm me proporcionado importantes lições de vida e bons momentos de reflexão para um constante amadurecimento espiritual. Eu uso a bike pra vir trabalhar. Somente quando chove muito forte, pego o carro.

TM - O que faz você percorrer uma subida difícil e íngreme (no montanhismo ou mesmo de bike), desafiando seu próprio corpo, seus limites físicos e psicológicos?

Beatriz Pianalto - Desafiar a preguiça, o comodismo e o medo.

TM - Além da bike e do montanhismo, quais os outros esportes você pratica?

Beatriz Pianalto - Estou começando a praticar remo porque tenho um pouco de medo da água e daí é mais um desafio.

TM - O que você ainda pretende fazer de aventura?

Beatriz Pianalto - Ahh, trips de dogsleds no Alaska, remar na Noruega e pedalar na Suécia.

beatriz pianalto de azevedo em aula de sup guaiba poa rs

beatriz pianalto de azevedo rapelando uma das cachus da garganta do cafe praia grande santa catarina

Compartilhe