Petra, um dia épico

Sempre tive vontade de conhecer Petra. Durante a viagem de mergulho ao mar vermelho decidi fazer um bate-volta do Cairo-Aman-Petra-Cairo. Bem cansativo, mas valeu a pena. Não poderia estar ali tão perto sem aproveitar a oportunidade de conhecer uma das 7 novas maravilhas do mundo, considerada um Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

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Petra, "pedra” em grego, é daqueles lugares que tiram o fôlego de qualquer um. É o principal destino turístico da Jordânia e um dos mais importantes do Oriente Médio. Mas não é um destino comum e nem para todos. Seus visitantes em sua maioria são arqueólogos, historiadores e exploradores que buscam aventura, descobertas e história.

Em geral são necessários dois dias inteiros de caminhada para percorrer todo este sítio arqueológico, um dos mais importantes do mundo. Entre cânions e montanhas, a cidade ainda preserva imponentes templos e tumbas esculpidos na rocha pelos Nabateus, um povo nômade originário das Arábias, que habitou essa região há milhares de anos.

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Vale citar que na região há um antigo caminho beduíno, que parte da Reserva da Biosfera de Dana, o maior programa de preservação natural do Oriente Médio, até Petra. Esta rota já foi considerada pela revista National Geographic Traveler como um dos melhores trekkings do mundo. São 7 dias atravessando o Vale de Wadi Araba, passando pelo deserto de Wadi Rum, subindo as montanhas de Sharah, num total de de 80 km até chegar a cidade perdida de Petra. Um verdadeiro “Epic Trail”.  O período mais apropriado para esta travessia vai de Outubro a Abril quando as temperaturas são mais toleráveis no deserto, lembrando que os dias são de muito calor e as noites frias.

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A Jordânia fica no Oriente Médio que é uma região desértica, conhecida pelo seu clima quente e seco. Petra está situada na fronteira da planície árabe, uma das doze grandes massas de terra movediças, sujeita portanto a terremotos.

Apesar de toda sua rica história, Petra ficou famosa mesmo depois que apareceu no filme "Indiana Jones e a Última Cruzada" em 1989. Em 2007 superou a marca de 500 mil visitantes depois que tornou-se uma das 7 maravilhas do mundo.

Explorando Petra

Caminhei por Petra durante um dia inteiro, sem me cansar (apesar do calor do deserto), emocionada com o esplendor de todo aquele sítio. A aventura começou nos Siqs, um desfiladeiro belíssimo, muito cumprido e estreito. São mais de 1200 metros de extensão, com larguras que variam entre 3 a 12 metros. Incrivelmente alto, você chega a se sentir minúsculo diante de tamanha beleza. Os paredões do Siq chegam a ter mais de 80m de altura.

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Ao final do desfiladeiro está o fabuloso “Tesouro”, certamente o templo mais conhecido de Petra. O mais fotografado, e sem dúvida também, um dos mais bonitos.

Há diversas hipóteses para sua verdadeira finalidade. A hipótese mais aceita é que sua fachada foi escavada para enfeitar o mausoléu de um importante rei nabateu, o rei Aretas IV no início do século I. Os nabateus, assim como os egípcios acreditavam na vida após a morte e construíam tumbas e templos encravadas nas rochas, em belos estilos arquitetônicos. Os pobres não gozavam deste privilégio pois eram enterrados em simples buracos construídos nas rochas.

O nome provavelmente surgiu da lenda que um faraó egípcio teria escondido neste local um tesouro, que os beduínos acreditavam estar no topo do templo Al Khazneh.

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Na verdade o Tesouro é somente uma fachada, muito bem preservada por estar em local protegido do vento. Foi esculpida num paredão de arenito rosa-avermelhado com 30 metros de largura e 43 metros de altura. Na verdade quase todas as fachadas em Petra são só fachadas mesmo, sem profundidade. Não tinham um estilo arquitetônico próprio, mesclavam influências dos estilos grego e o romano.

Outro famoso templo é o Monastério, longe, caminha-se muito para chegar até lá mas em compensação a vista que se tem do é alto espetacular. Originalmente foi construído como um templo supostamente dedicado ao rei Obodas I – século I a.C. e depois convertido em um monastério por monges durante o período Bizantino. Maior do que o Tesouro, o Monastério tem 50 metros de largura x por 50 de altura.

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O anfiteatro foi construído também no século I d.c., em formato circular, sendo uma cópia fiel de um teatro grego romano, com dimensão suficiente para abrigar uma plateia entre 3 a 5 mil expectadores.

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Petra é conhecida como "a cidade rosa" por conta da cor de suas rochas. Além do rosa, encontrarão lá grande variedade de cores, um verdadeiro deleite para geólogos.

Os nabateus, como mestres da engenharia, construíram um impressionante sistema hidráulico com uma completa rede de cisternas, represas e canais de água cortados em penhascos.

História

Petra foi uma das cidades mais importantes da região e até mesmo, do Oriente Médio, entre os séculos 6 a.C. a 106 d.C.

A princípio Petra era um entreposto usado para guardar as riquezas e objetos pesados dos nabateus que tinham um estilo de vida nômade. Ao perceberem sua localização estratégica, decidiram fundar ali sua cidade-sede por ter um local estratégico entre as rotas comerciais. Por ali passavam caravanas que transportavam incenso, mirra e especiarias entre a Península Arábica e Damasco (atual Síria).

Petra chegou a ter 30 mil habitantes em seu apogeu, mas no século I foi invadida e dominada pelo general Pompeu do Império Romano que obrigaram os nabateus a pagarem impostos. Muitos fugiram voltando a viver como nômades no deserto.  Os romanos deram nova arquitetura à cidade, construindo ruas cercadas por colunas, fachadas, portas em arcos e os banhos coletivos.

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Na época Bizantina, entre os séculos 4 e 6, terremotos atingiram a região, destruindo praticamente toda a cidade. A rota comercial teve que ser alterada e Petra ficou esquecida e se “perdeu” no deserto por muitos e muitos anos. Durante séculos a cidade permaneceu anônima e somente em 1812, um arqueólogo suíço chamado Johan Ludwig Burckhardt redescobriu a “cidade perdida”.

Johan ouviu falar sobre as fantásticas ruinas de uma cidade perdida perto de Wadi Musa e para descobri-la chegou a morar meses no deserto em busca de Petra, onde apenas os beduínos sabiam chegar. Era apaixonado pela cultura arábica, aprendeu o idioma, converteu-se ao islamismo e teve que se disfarçar para driblar a desconfiança com os estrangeiros.

Após a descoberta centenas de escavações e excursões de arqueólogos foram patrocinadas, mas infelizmente hoje pesquisas e estudos estão interrompidos por falta de investimento. Estima-se que apenas 20% foi descoberto, e portanto muitas respostas e parte da história mundial ainda está debaixo da terra.

Como chegar

Petra está localizada na Jordânia, um país no meio do Oriente Médio, cercado por vizinhos conflituosos como a Síria, a Arábia Saudita, o Iraque e Israel. Além do Egito, a Jordânia é o único país que tem um acordo de paz com seus vizinhos israelenses.

Infelizmente não há um aeroporto internacional em Wadi Musa, a pequena cidade acerca de Petra. De avião você pode chegar por Amam, a capital da Jordânia, por um aeroporto internacional com boa estrutura, mas sem voo direto do Brasil. Eu voei vindo do Cairo pela companhia aérea deles, a Royal Jordanian Air.

De Aman até Wadi Musa (Petra), são 240 km de distância (3 horas de viagem), que você pode ir de taxi, van ou ônibus. Como estava sozinha, vindo de uma pais islâmico, estava o tempo todo escoltada por guias contratados a pela empresa Activa Egypt Tours, do Cairo. Recomendo a empresa porque deu tudo 100% certo.

Também pode-se chegar pelo aeroporto ou o porto de Aqaba, no mar vermelho. Essa cidade está apenas 130 km de Petra, em uma hora e meia de viagem.

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Quanto tempo ficar e melhor época de ir

O sítio arqueológico pode ser visitado em 1 dia, mas recomendo 2 dias, claro a depender do seu interesse em história e arqueologia.

Petra é um destino quente, sobretudo no verão que ocorre entre junho e agosto, com temperaturas médias de 35 graus centígrados. Quem não gosta do calor intenso, é melhor visitar a cidade na primavera ou outono, quando as temperaturas são mais agradáveis. No inverno pesado, entre dezembro e janeiro, tem as temperaturas mínimas médias que batem perto do zero grau.

Pulo do gato

Primeiro é preciso estar em boa condição física para aguentar grandes caminhadas sob o calor do deserto. Quem não quiser atravessar o Siq a pé, pode ir a cavalo que são alugados na entrada do parque.

Ingressos são adquiridos à entrada no centro de visitantes.

Na entrada, há também lojinhas vendendo souvenirs, camisetas e todo tipo de bugigangas a la Indiana Jones.

Use uma roupa confortável, boné, óculos e calçados adequados para caminhar durante horas. Levar bastante água é muito importante. Leve também um casaco porque a temperatura cai depois que o sol se põe.

Na minha opinião é essencial ter um guia, para obter detalhes da rica história. Não há problemas com segurança nesta visita.

Dentro das ruínas há um acampamento beduíno que vende bebidas e lanches.

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Um ótima opção é fazer o Petra by night, que acontece de 2 a 3 vezes por semana. Eu volto pra ver isso de perto... Não me canso de imaginar o quão lindo seria caminhar com velas acesas pelo chão de Petra, este lugar único no mundo. Uma viagem que vai estar em sua memória durante muito tempo. Além de linda, com certeza, sairá de lá mais rico, cultural e espiritualmente.

Confira mais Viagens e Outras Histórias em meu site: viagenseoutrashistorias.com.br.

Boa Viagem!

Flávia Ribeiro

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Petra, Jordânia
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