Conheça as 12 maiores montanhas do Brasil

Trilheiro não pode ver uma montanha que já quer subir. Existe algo místico que atrai viajantes ao topo. Sensação de liberdade, reflexões sobre a imensidão do universo e da natureza, superação de desafios. Seja qual for o motivo, estar lá em cima desperta em nós a sensação de dever cumprido. Por isso, listamos as 12 maiores montanhas do Brasil para você pensar para suas próximas aventuras!

1ª - Pico da Neblina - 2.995,30 m - Serra do Imeri (AM)

Um pico envolto em uma neblina eterna ao longo do ano. A maior montanha do Brasil é o Pico da Neblina e faz jus ao nome. O parque nacional foi criado na década de 70 e está localizado na Serra do Imeri, no Amazonas, em terras Yanomami. Recentemente, a área foi demarcada, e os indígenas defendem seu espaço sagrado para manter a soberania sobre seu território.

Por isso, se você quer se aventurar em uma das maiores montanhas do Brasil, deve respeitar os donos da terra. Solicite uma autorização à AYRCA (Associação Yanomami do Rio Cauaburís e Afluentes), emitida pelo presidente da associação após debate com as lideranças indígenas.

Em seguida, o trilheiro precisa estar muito disposto para chegar ao topo do Brasil. São cerca de 10 dias, e a viagem começa em São Gabriel da Cachoeira, cidade próxima à divisa com a Colômbia, às margens do Rio Negro. Serão 5 horas na carroceria de um caminhão, com direito à inspeção da FUNAI (já que a estrada entra em reserva indígena de diferentes etnias), até chegar ao rio Ya-Mirim. De lá, serão 2 dias em uma voadeira pelos rios.

Ao chegar na mata, começa a caminhada com muito calor e chuva por vários dias em um dos lugares mais inóspitos e hostis do planeta. Por isso, o viajante deve estar muito preparado para as dificuldades. E ao atingir o cume, lembre-se que é o Pico da Neblina. A aventura é o caminho, não o destino final, porque você não verá nada além de neblina lá no alto.

2ª - Pico 31 de Março - 2.974,18 m - Serra do Imeri (AM)

Bem próximo ao Pico da Neblina, está o Pico 31 de março. Ele está entre as 12 maiores montanhas do Brasil, que infelizmente ganhou esse nome após uma expedição militar que o batizou para homenagear o golpe do dia 31 de março de 1964.

Na Serra do Imeri, ele pode ser considerado um cume secundário do Pico da Neblina, já que se encontra no mesmo maciço. Ele pode, inclusive, ser alcançado a partir do ponto mais alto do Brasil, por meio de uma crista que conecta as montanhas.

As dificuldades são, por isso, semelhantes. Até São Gabriel da Cachoeira, você precisará de 4 dias extenuantes para voltar.

3ª - Pico da Bandeira - 2.891,32 m - Serra do Caparaó (MG/ES)

Situado na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, o Pico da Bandeira já foi considerada a maior montanha do país. D. Pedro II, no século XIX, cravou uma bandeira no topo do que seria o ponto culminante do Brasil. Demorou quase dois séculos para a marca ser batida, o que não diminuiu sua importância.

O Pico da Bandeira é uma das 12 maiores montanhas do Brasil e o mais acessível. Localizado na Serra do Caparaó, que é uma ramificação da Serra da Mantiqueira, o pico está situado no Parque Nacional do Caparaó, criado na década de 60. O local já foi palco da guerrilha do Caparaó, movimento armado que desafiou o regime militar.

Acessar o topo da montanha não é uma tarefa tecnicamente difícil. A trilha não demanda auxílio de cordas, apesar do desnível evidente. Bastam as primeiras horas da madrugada para chegar ao alto, o que é muito recomendado, porque o nascer do Sol do local é um dos mais famosos do Brasil.

A partir do local chamado de Tronqueira (onde se chega de carro), há uma trilha de 4,5 km até o Terreirão, onde é possível acampar e dormir um pouco. De lá até o cume, existe uma trilha bem marcada com setas amarelas pintadas na rocha. Se você quiser optar por subir à noite e pegar o nascer do Sol, vá com um guia, porque as marcações são ocultadas.

A melhor época para subir o Pico da Bandeira é a época de seca, entre maio e agosto. Isso significa um frio intenso, abaixo de zero. Por isso, prepare-se com as melhores roupas para a trilha.

4ª - Pico do Calçado 2.849 m - Serra do Caparaó (MG/ES)

Logo ali ao lado do Pico da Bandeira (1 km em linha reta), está o Pico do Calçado, extra oficialmente a quarta montanha mais alta do Brasil, e a segunda de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Ela não é considerada entre as 12 maiores montanhas do Brasil por uma razão técnica (uma proeminência topográfica). O IBGE o considera um cume secundário do Pico da Bandeira, e não uma montanha autônoma, embora sua medição por GPS tenha sido feita pelo Projeto Pontos Culminantes do Brasil.

5ª - Pedra da Mina - 2.798,06 m - Serra Fina (MG/SP)

A Pedra da Mina está localizada na Serra da Mantiqueira e integra o maciço da Serra Fina. É uma das travessias mais difíceis do Brasil. Ela pode ser acessada pela cidade de Passa Quatro (MG), na fazenda Serra Fina ou na Toca do Lobo. Existem outros dois acessos: Itamonte, pela fazenda Engenho da Serra, e Queluz (SP).

Ainda que você seja um trilheiro experiente, o GPS é indispensável, devido aos nevoeiros constantes. Há totens marcando o caminho que se perdem no nevoeiro.

Caso queira passar a noite no topo, é plenamente possível. Prepare-se para o frio, leve alimentos apropriados para se aquecer e aproveite o nascer do Sol que evidencia as paredes de pedra das montanhas de Itatiaia

6ª - Pico das Agulhas Negras - 2.790,94 m - Parque Nacional do Itatiaia (RJ)

As agulhas negras que apontam para o céu dão nome a uma das 12 maiores montanhas do Brasil. O Pico das Agulhas Negras, localizado no Parque Nacional do Itatiaia (o mais antigo do Brasil), não é tão difícil de ser acessado.

“Via Pontão”, a trilha é mais fácil e é utilizada pela maioria das pessoas. Basta um bom preparo físico, coragem e equilíbrio, já que é preciso atravessar agachado entre as pedras, por pequenos corredores, para vencer os últimos metros. Se você fizer questão de assinar o famoso livro do pico, precisará vencer um abismo com o auxílio de corda e escalar um trecho íngreme. Se preferir uma trilha menos usual e mais técnica, escolha a “Via Útero”, que é uma subida por uma grande fenda.

Lá de cima, a paisagem vale todo o esforço. É possível avistar o Morro do Couto, o Maciço das Prateleiras, o vale do Paraíba e a Serra Fina.

7ª - Pico do Cristal - 2.769,05 m - Serra do Caparaó (MG/ES)

A Serra do Caparaó ainda guarda outra surpresa: o Pico do Cristal. Para os montanhistas, é a montanha de formas perfeitas. Ela fica na mesma porção do Pico Calçado e do Pico da Bandeira (maciço do Caparaó).

Seu nome se origina do espetáculo que ela apresenta em noites de lua cheia, que fazem brilhar os cristais de quartzo que afloram na superfície. Para acessar a montanha, é preciso ter um pouco de técnica, já que há exigência de algumas “escalaminhadas”. Se você não é um trilheiro experiente, a presença de um guia é indispensável.

A forma mais prática de conhecer o pico é na descida do Pico da Bandeira.

8ª - Monte Roraima - 2.734,05 m - Parque Nacional do Monte Roraima (RR)

No extremo norte do Brasil, na divisa com Guiana e Venezuela, se encontra 10% do Monte Roraima. Sua subida é feita após atravessar a fronteira da Venezuela, na aldeia indígena Parai-Tepui.

A jornada varia entre 5 a 8 dias, dependendo do roteiro. Somente o roteiro mais longo permite alcançar a outra borda e conferir o lado brasileiro. Caminhadas longas, ladeiras intermináveis, aclives, escadas de pedras soltas estão no roteiro.

Ao chegar no topo da montanha, o trilheiro encara uma atmosfera misteriosa diante dos "gigantes de pedra" que chegam às nuvens. A propósito, esses rochedos viram o Período Jurássico e o afastamento da América do Sul em relação à África. Um dos mais antigos platôs do mundo.

O local é cheio de “hotéis”, nas palavras dos índios. Os abrigos ou cavernas de pedras servem de proteção da chuva e dos ventos.

9ª - Morro do Couto - 2.680 m - Parque Nacional Itatiaia (MG/RJ)

Situado no Parque Nacional Itatiaia, o Morro do Couto é a montanha de mais fácil acesso da região. Basta seguir caminhando tranquilamente por duas horas a partir da entrada do parque. Ela é bastante frequentada por escaladores, devido às vias com variados graus de dificuldade.

É possível chegar a uma das 12 maiores montanhas do Brasil saindo do Pico das Prateleiras e seguindo por sua crista. Lá no alto, avista-se o Pico das Agulhas Negras e a Serra Fina.

10ª - Pedra do Sino - 2.670m - Parque Nacional Itatiaia (RJ)

Ainda no Parque Nacional Itatiaia, encontramos mais uma das 12 maiores montanhas do Brasil. Pouco conhecida, a Pedra do Sino é o terceiro ponto mais alto do parque. Para chegar até ela, há várias rotas que não estão bem marcadas.

A trilha mais conhecida é pela Pedra do Altar. São 12 km para chegar bem próximo ao cume. De lá, basta descer até a base da Pedra do Sino e subi-la em seguida. Mas não se engane: essa subida é uma das mais extenuantes do parque, mas vale o esforço.

11ª - Pico dos 3 Estados - 2.665 m - Serra Fina (MG/SP/RJ)

O Pico dos 3 Estados está localizado na Serra Fina e leva esse nome por ser o marco geográfico divisório de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. É uma porção irregular da Serra da Mantiqueira que demanda uma caminhada pesada.

Para acessá-lo, é preciso caminhar por longas horas pela crista da Serra Fina até chegar à base da montanha. Dali, há um trecho muito íngreme que leva ao topo, que demanda uso das mãos para ajudar na ascensão. Ao chegar no cume, entre na brincadeira e caminhe pelos três estados circundando o marco do topo.

12ª - Pedra do Altar - 2.665 m - Serra da Mantiqueira (MG/SP/RJ)

Fechando a última das 12 maiores montanhas do Brasil, está mais um local da Serra da Mantiqueira, a Pedra do Altar. Ela está à esquerda das Agulhas Negras e, como o próprio nome sugere, se assemelha a um altar. É possível chegar lá apenas caminhando de forma tranquila, sem qualquer tédio. Vislumbre durante sua caminhada as Agulhas Negras, o Morro do Couto e a Asa de Hermes. A máquina fotográfica certamente não ficará parada.

Você está pronto para conhecer uma das 12 maiores montanhas do Brasil? Prepare sua mochila, condicione-se fisicamente e trace suas rotas. O topo te espera!

 

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